| Formando orquestras |
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| Veículo: O Fluminense |
| Sáb, 08 de Janeiro de 2011 |
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Leia aqui matéria publicada na edição de nove de janeiro de 2011, de O Fluminense, publicação de Niterói, RJ, e em parte replicada no site do jornal, que aborda o processo de formação de vocações musicais com ênfase na prática em bandas sinfônicas e faz várias referências à Escola de Música.
Formando orquestras Alunos de Bandas Sinfônicas de Niterói ganham o mundo.
Prisca Fontes
“E a meninada toda se assanhou / Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor". Foi assim que Gabriel de Rezende Dias, 24 anos, se apaixonou pela música. Ele tinha seis anos, estudava no Colégio São Vicente de Paulo, em Icaraí, e gostava de assistir aos ensaios da banda. No mesmo ano ele se uniu ao grupo e desde então nunca mais largou a música.
"A presença de uma banda na minha escola foi fundamental e com certeza decisiva no meu interesse pela música. Aprendi a tocar trompete e me tornei músico profissional", conta.
Hoje, Gabriel estuda em uma das escolas mais conceituadas de música do mundo, o The Juilliard School, em Nova Iorque. O jovem passou por uma árdua seleção onde teve que provar que dominava o trompete. Além de ser aprovado, ele conseguiu uma bolsa de estudo da escola e o patrocínio de um grupo de empresários brasileiros, que ajudam a financiar sua estada.
"Os meus planos para o futuro ainda não estão definidos. Vou ficar nos Estados Unidos até completar os estudos e no momento estou tocando com a Orquestra Filarmónica das Américas, o que pode vir a se tornar um trabalho no futuro. Estou gostando de Nova Iorque e não descarto a possibilidade de ficar por aqui após o término do meu curso".
Histórias como a de Gabriel se multiplicam em Niterói, onde alguns colégios particulares mantêm a tradição das bandas. No Colégio Salesiano, o jovem Matheus Corrêa de Moraes, 19, também soprou as primeiras notas no trompete.
"Eu comecei a estudar no Salesiano na quinta série e me interessei quando vi uma das apresentações da banda. Comecei a frequentar e descobri meu gosto e talento pela música", conta.
A música se tornou sua escolha de vida. Aos 16 anos, Matheus entrou na Faculdade de Regência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e se tornou um dos integrantes da Banda Sinfónica Santa Cecília da Prefeitura de Niterói. Além disso, o jovem toca na Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) Jovem e este ano participou de musicais como Gypsy e Hair.
"A música contribuiu para minha disciplina. Eu era um bom aluno, mas não me dedicava, faltava às aulas por preguiça e sem ter motivos. A música me ensinou a ter comprometimento — tenho que respeitar os horários de estudo para ser um bom músico. A música me ensinou a ser profissional", comenta.
O músico Josué Moreira Campos Jr, 26, também iniciou sua carreira na banda de seu colégio, o Plínio Leite. Filho e neto de músicos, sempre brincou com instrumentos, mas aos nove anos entrou para a banda e aprendeu a tocar oboé, com o seu pai, o Maestro Josué Campos Moreira.
"As bandas de música clássica são uma tradição que está acabando, mas o jovem que aprende música se torna mais culto e disciplinado. Além de ser uma opção de carreira: eu aprendi a tocar no colégio e acabei estudando na Escola de Música da UFRJ. Na faculdade, viajei o Brasil todo fazendo concertos e apresentações. Também toquei em Buenos Aires e no Paraguai”, conta empolgado.
Josué Jr já tocou na Orquestra de Campos, na Orquestra Filarmónica do Rio de Janeiro e em musicais. Surgiram tantas oportunidades, que começaram a atrapalhar os estudos do músico. Atualmente ele se dedica ao bacharelado e licenciatura em Oboé e dá aulas de música no Colégio São Vicente de Paulo.
Legenda de fotos:
O trompetista Matheus Corrêa de Moraes, de 19 anos, começou na Banda do Colégio Salesiano e hoje cursa regência na UFRJ, é integrante da Orquestra Sinfónica Brasileira (OSBI) Jovem e participa de musicais.
Gabriel Dias carreira nos Estados Unidos. O oboísta Josué Moreira Campos Jr começou a estudar música na banda do Colégio Plínio Leite e hoje também estuda na UFRJ e tocou na Orquestra Filarmónica do Rio de Janeiro.
Jovens talentos da música clássica.
(BOX) Música e educação
Alexandre Baluê, 52 anos, é o maestro da Banda do Colégio Salesiano, em Santa Rosa, que conta com 45 músicos, na faixa etária de 15 a 16 anos. O maestro enumera os benefícios da música para a formação de crianças e jovens.
"Disciplina, sensibilidade, concentração, socialização, desenvolvimento do raciocínio abstrato e desenvolvimento intelectual, afinal a música envolve muita matemática — tanto na música quanto na matemática não existe mais ou menos, ou se está certo ou se está errado", afirma.
Legenda da foto do box: O maestro da banda do Colégio Salesiano, Alexandre Baluê, ensaia 45 jovens e diz que disciplina e sensibilidades são fundamentais. |
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