170 ANOS FORMANDO MÚSICOS DE EXCELÊNCIA

Domitila, amor proibido

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Leia aqui matéria publicada no portal GazetaDigital, potal do jornal A Gazeta, Cuibá, Mato Grosso do Sul, 30 de outubro de 2010, sobre  temporada da ópera Domitíla, de J. G. Ripper, no teatro UFMT, Cuiabá (MT). A montagem conta com a participação de estudantes, funcionários e docentes da Escola de Música da UFRJ.

 

Domitila, amor proibido

 

Ópera de câmara em um ato será apresentada neste sábado no Teatro da UFMT

Leidiane Montfort
Da Redação

História de amores proibidos costumam ser fonte de inspiração para poetas, escritores e pintores ao longo dos séculos. Na música não é diferente. Nesse sábado o Teatro da UFMT abre as portas para a Ópera Domitila, com montagem do compositor carioca João Guilherme Ripper - que traz luz a trajetória, sonhos e expectativas da "amante oficial" de Dom Pedro.

 

O grupo que se apresenta hoje em Cuiabá é formado pela soprano Maíra Lautert, a pianista Priscila Bomfim, o clarinetista Thiago Tavares e o violoncelista Mateus Ceccato. Juntos, sob a direção cênica de Luiz Kleber Queiroz, eles apresentam ao público o último dia da Marquesa de Santos na côrte. Este é o dia em que escreveu sua última carta ao imperador, e amante Dom Pedro I.

 

Levantamentos e cartas dão conta que na casa dos Bragança uma série de imposições obrigaram ao jovem imperador e viúvo uma nova esposa de estirpe real. O nome era D. Amélia. No entanto, Pedro I desejava a outra mulher: Domitila. Com um mergulho dramatúrgico na história do Brasil, Ripper traz à tona a emoção de Domitila, que relembra os momentos em que viveu ao lado de D. Pedro, lendo as cartas que recebeu de seu amado.

 

O sucesso da montagem que chega hoje ao teatro da UFMT já alcança 10 anos de história. Em sua primeira montagem, em 2000, Domitila, recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte. Ela foi escrita em março de 2000 por encomenda do Centro Cultural Banco do Brasil para o espetáculo Palavras Brasileiras.

 

O carioca João Guilherme Ripper graduou-se e cursou mestrado em composição e regência na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, e fez doutorado nos Estados Unidos. Também foi professor em universidades americanas. De volta ao Brasil em 1998, passou a atuar com importantes orquestras brasileiras. Membro da Academia Brasileira de Música, Ripper é atualmente diretor da Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro.

 

A montagem de João Guilherme Ripper é baseada nas cartas trocadas entre o Imperador D. Pedro I e sua amante, Domitila de Castro a Marquesa de Santos. Desde as primeiras mensagens, com galanteios do Imperador, passando por momentos de grande intimidade, até chegar ao triste desfecho da relação, os textos são o documento vivo de um amor proibido. "Domitila, minha imperatriz. Desde que pus meus olhos na tua formosura, quis ser todo e sempre teu. Queres, divina augusta, o meu pensamento? São para ti esses versos, meu amor", escreveu Dom Pedro.

 

O romance ficou na história do Brasil. Há relatos sobre mais de duzentas cartas trocadas por Domitila e D. Pedro. Mas somente 143 foram documentadas.

 

Montagem - A ópera da Companhia Versátil de Música, para soprano, piano, violoncelo e clarinete, procura humanizar a personagem histórica, vivida por Maíra Lautert. A concepção da montagem do monólogo é simples, mas valoriza a interpretação de Maíra, extraindo da cantora uma intensa carga dramática.

 

A Ópera Domitila foi selecionada pelo Prêmio Funarte - Circuito de Música Clássica 2010,e está sendo apresentada em forma de concerto cênico além de Cuiabá, em Porto Alegre (RS), Joinville (SC), Campo Grande e Dourados (MS). Com entrada gratuita. A Coordenação de Cultura e Vivência da UFMT é a parceira local do projeto.

 

Serviço: Ópera Domitila. Data: sábado (30). Local: Teatro UFMT. Horário: 20h. A entrada é gratuita. Duração aproximada em 55 minutos. Mais informações pelos telefones: 3615 8354

Correspondência

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