|
Veja aqui matéria publicada na revista Formatura&Cia, edição de abril de 2010, sobre a arquitetura do prédio que abriga a Escola de Música.
Solta o Som!
Arquitetura da Escola de Música da UFRJ tem estilo eclético
Fernando Magalhães
O local não poderia ser mais apropriado para ser a sede da Escola de Música da UFRJ. O prédio onde estudou nomes ilustres como Vila Lobos e Carlos Gomes é imponente. Fica na Lapa, berço da boemia carioca e tem no entorno joias do Rio como a Sala Cecília Meireles, o Teatro Municipal, a Academia Brasileira de Música, de Letras, o Museu Nacional de Belas Artes entre tantas outras.
Quem entra no prédio tem a sensação de que está num palacete. Escadas suntuosas, colunas gregas, chão decorado, portões de ferro e lustres dão ar de requinte ao ambiente. Segundo a arquiteta do setor de Patrimônio do Município, Juliana Jabor, o prédio tem estilo "eclético", próprio do início do século XX. "O ecletismo retoma os vários estilos do passado como, por exemplo, o grego, o gótico e tem várias influências", destaca. O prédio livrou-se de ser demolido algumas vezes por conta de obras na cidade. A última foi na década de 1970 na gestão do então prefeito Chagas Freitas em que a Lapa foi reurbanizada e vários prédios foram demolidos.
Instituição de música mais antiga do Brasil e talvez da América Latina, a Escola é um ícone em frente ao Passeio Público que sobreviveu às inúmeras transformações da paisagem, mas enfrenta problemas. A aluna do 6o período de saxofone, Denise Rodrigues Cerqueira lamenta a má conservação do prédio. "Tudo é muito bonito, mas muito mal conservado". A estudante conta estranhou o estado da estrutura interna quando iniciou a faculdade. "Tive uma péssima impressão. A fachada do prédio foi reformada, mas a parte interna continua muito ruim. As salas de aula não são apropriadas, pois as divisórias são de fórmica e não permitem uma boa acústica", enfatiza.
Um funcionário que pede anonimato afirma que, recentemente, quatro salas de aula foram interditadas. Um elevador também está trancado sem uso e as escadas de ferro enferrujadas.
O diretor da Escola, André Cardoso, alegou que a universidade está em obras e que existe a burocracia do Patrimônio. "A Escola está em obras. O Salão Leopoldo Miguez, a cantina. O problema de um prédio de 160 anos é a manutenção. Até para pintar uma parede tem-se que pedir autorização ao Patrimônio", afirma. A Escola tem três salas de concerto. O Salão Leopoldo Miguez foi construído para proporcionar ao Instituto Nacional de Música um local para solenidades. O projeto inspirado na Sala Gaveau de Paris é de autoria do arquiteto Cipriano Lemos. No amplo foyer que dá acesso à plateia, destacam-se os painéis do pintor Antônio Parreiras.
Os problemas não impedem, entretanto, a vida acadêmica de funcionar. Na ocasião da chegada da reportagem da revista, as salas estavam cheias e as aulas a todo vapor. Um curso da Alemanha estava sendo ministrado por professores do exterior. O professor holandês Will Sanders que dava aula para a trompetista Priscila Martins permitiu que a reportagem acompanhasse a aula por alguns minutos. Priscila tocava na companhia da japonesa Reime Matsuda, no piano, que disse estar "muito feliz" com a visita à Escola de Música da UFRJ. Já o professor, falando em português, destacou que aquele prédio era importante, porque ali "estudou Vila Lobos".
Apesar de ter sido tomado pelo Município somente em 1994, o prédio da Escola de Música já era parte importante da memória do país. Em 1913, a Escola foi transferida para sua sede atual, onde antes funcionava a Biblioteca Nacional. Com a desocupação da Biblioteca no início do século XX que já não comportava o acervo que crescia constantemente, o Instituto Nacional de Música (atual Escola de Música da UFRJ) foi transferido para lá. Sua sede antiga ficava na rua Lampadosa, hoje Luiz de Camões. Inaugurado em 1922, o prédio atual foi construído no lugar da antiga Biblioteca Nacional que foi parcialmente demolida.
Legendas
André Cardoso diretor da Escola Nacional de Música
1) Professor Will Sanders durante aula, 2) Detalhe da trompetista Priscila e da pianista Reime, 3) Denise, aluna do 6o período.
1) Elevador interditado, 2) Colunas gregas dão requinte ao prédio, 3) Entrada da Escola.
|