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Início Notícias Arquivo RBM lança mais uma edição
RBM lança mais uma edição PDF Imprimir E-mail
Escrito por Francisco Conte   
Qui, 10 de Maio de 2012 01:39

Primeiro periódico acadêmico-científico do gênero do País, a Revista Brasileira de Música (RBM) acaba de ganhar mais uma edição. Com o tema “Tradição e inovação no século XX”, o volume 24/2 reúne sete artigos de especialistas que analisam a produção do período, tendo por foco, como afirma a editora Maria Alice Volpe na apresentação da publicação, os “desafios da inovação e a busca pela tradição, seja no contexto de construção de identidade nacional, seja em momento posterior, que expresse o intuito de superação dessas amarras estético-ideológicas”.

 

Foto:Divulgação
Elliott Antokoletz
Antokoletz , que integra o conselho editorial da publicação, discute o Choros no 10 de Villa-Lobos no artigo de abertura.

Assinam os trabalhos, Elliott Antokoletz (Universidade do Texas-Austin), Marcos Branda Lacerda (USP), Rodolfo Coelho de Souza (USP-Ribeirão Preto), Ricardo Tacuchian (Unirio e Academia Brasileira de Música), José Fortunato Fernandes (UFMT), Ilza Nogueira (UFPB e Academia Brasileira de Música), além da própria Maria Alice Volpe (UFRJ).

 

A revista traz ainda uma resenha de “O Círculo Veloso-Guerra e Darius Milhaud no Brasil”, importante livro de Manoel Corrêa do Lago, e a transcrição da aula inaugural do período letivo de 2008 da Escola de Música, proferida por Edino Krieger. A seção Memória homenageia Osvaldo Lacerda e Almeida Prado, compositores recentemente falecidos, com textos, respectivamente, de Eudóxia de Barros (Academia Brasileira de Música) e Régis Duprat (USP e Academia Brasileira de Música). Outro destaque, a comunicação de André Cardoso (UFRJ e Academia Brasileira de Música) sobre a descoberta do método de contrabaixo mais antigo do Brasil, datado de 1838, de autoria de Lino José Nunes e localizado no acervo da Biblioteca Alberto Nepomuceno (BAN).

 

Atualmente sobre responsabilidade do Programa de Pós-Graduação em Música da UFRJ (PPGM), cada volume da RBM está organizado em seções de artigos acadêmico-científicos, além de um texto de “memória”, resenhas, uma entrevista e a seção Arquivo de Música Brasileira, que sempre divulga uma partitura da Coleção de Manuscritos da Biblioteca Alberto Nepomuceno, da Escola. “Sempre que possível, os volumes serão organizados em eixos temáticos propostos pelo Conselho Editorial ou extraídos dos artigos selecionados. Desse modo, a RBM busca estimular o debate, a crítica e a inovação, captar e refletir as tendências e questões norteadoras da pesquisa em música no momento”, salienta Volpe.

 

Para facilitar ainda mais o acesso, a publicação está indexada nas bases Répertoire International de Littérature Musicale (RILM), Abstracts of Music Literature, Bibliografia Musical Brasileira da Academia Brasileira de Música e The Music Index-EBSCO.

 

A RBM é gratuita e as últimas edições podem ser baixadas a partir da página da publicação ou do seu site. Este último, bilíngue português/inglês, permite ainda acessar o PDF de cada artigo específico da revista, consultar suas normas editorias, ler os procedimentos para submissão de artigos e acessar outras informações.


 

Revista Brasileira de Música

rbm24-2

Volume 24/2 - Outubro 2011

Tradição e inovação no século XX


Este volume da RBM tem como eixo temático "Tradição e inovação no século XX". Apresenta posicionamentos críticos e analíticos pertinentes ao estudo da música no Brasil do período, especialmente voltados aos desafios da inovação e a busca pela tradição, seja no contexto de construção de identidade nacional, seja em momento posterior que expresse o intuito de superação dessas amarras estético-ideológicas. Que este volume propicie ao leitor um significativo encontro com a análise musical e a crítica histórico-musical.

 

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ARTIGOS

 

From polymodal chromaticism to symmetrical pitch construction in the musical language of Villa-Lobos

Elliott Antokoletz


O propósito deste ensaio é mostrar como a transformação de modalismos folclóricos em construções modernistas mais abstratas de altura das notas reflete-se na música do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos. A tendência de transformação modal e o estabelecimento de uma nova linguagem harmônica no início do século XX são exemplificados neste estudo sobre o Choros no 10 (1926). Compositores de várias nacionalidades extraíram construções simétricas de altura das notas derivando-as de materiais pentatônicos e modais de suas fontes de música folclórica; os variados tipos de coleções de alturas em suas obras vão desde construções pentatônicas e modais da música folclórica até as mais abstratas sonoridades modernistas de combinação polimodal, tons inteiros, octatônicas e combinações híbridas derivadas. No Choros no 10, construções cromáticas polimodais são transformadas de blocos estruturais octatônicos para pentatônicos como a base de um novo conceito de tonalidade e progressão, enquanto as interações destas sonoridades dentro de um contexto rítmico-timbrístico mais amplo da obra contribuem para pretendida evocação geral de várias qualidades naturais do Brasil.

Palavras-chave: Século XX – música brasileira – modernismo – Heitor Villa-Lobos – análise musical.

 

Aspectos harmônicos do Choros n. 4 de Villa-Lobos e a linguagem modernista

Marcos Branda Lacerda


Este trabalho realiza, em um primeiro momento, uma breve discussão sobre o conceito de gênero harmônico a partir de estudos analíticos pioneiros do repertório modernista, particularmente de obras de Debussy e Stravinsky. Como se sabe, esses dois autores desempenham papel importante na formação estilística de Villa-Lobos. Em seguida, são apreciados todos os momentos que compõem a primeira parte do Choros n. 4 de Villa-Lobos. O estudo revela as semelhanças na escolha das fontes de construção harmônica, e também a maneira de articulação formal destas fontes. O trabalho propõe que se busque uma compreensão maior sobre o desempenho do compositor brasileiro no diálogo que manteve com a arte contemporânea.

Palavras-chave: Século XX – música brasileira – modernismo – Heitor Villa-Lobos – análise musical.

 

O Manuscrito P38.1.1 e a “tabela prática” de Villa-Lobos

Maria Alice Volpe


Crítica textual do Manuscrito P38.1.1, pertencente ao conjunto documental do poema sinfônico Tédio de Alvorada e seu reaproveitamento no ballet-poema sinfônico Uirapuru, de Heitor Villa-Lobos. Visa rastrear o pensamento composicional e estabelecer uma interface com a teoria analítica adotada por Antokoletz (1992) e Volpe (2001). A crítica textual aponta para uma possível convergência entre o raciocínio expresso nas anotações preliminares do compositor brasileiro e a teoria analítica que se tem revelado tão competente para sistematizar a música tonal não funcional.

Palavras-chave: Século XX – música brasileira – modernismo – Heitor Villa-Lobos – crítica textual – análise musical.

 

Ópera Malazarte: a brasilidade no pensamento modernista de Graça Aranha e Lorenzo Fernândez

José Fortunato Fernandes


O estudo do Modernismo no Brasil nos mostra a formação da concepção de brasilidade na medida em que tal movimento se propôs a novas definições ou a novas maneiras de interpretar o pensamento nacional e de mostrar os caminhos para o seu desenvolvimento. Graça Aranha, autor do libreto da ópera Malazarte, a partir do interesse pela realidade brasileira apresentou um projeto de construção da cultura nacional baseado no estabelecimento de uma nova relação com a natureza brasileira através das categorias de intuição e integração. Nele encontramos a retratação de tradições, festas e instrumentos populares. O folclorismo foi uma das características nas obras de Lorenzo Fernândez. A sua participação no movimento modernista se deu através da associação da música com a literatura e sua ópera Malazarte foi a primeira, no domínio do teatro lírico brasileiro, a preocupar-se com os elementos musicais de brasilidade.

Palavras-chave: Século XX – música brasileira – identidade nacional – modernismo– ópera – Lorenzo Fernândez – Graça Aranha.

 

A recepção das teorias do dodecafonismo nos últimos Quartetos de cordas de Cláudio Santoro

Rodolfo Coelho de Souza


Este artigo procura demonstrar as influências que a teoria do serialismo dodecafônico, exposta em textos de Eimert e Krenek, possa ter exercido diretamente sobre a composição dos dois últimos quartetos de Santoro. Comprovou-se que a teoria das séries de todos os intervalos, apresentada por Eimert, contribuiu para a formação de uma série usada por Santoro. Mostramos também que a teoria do espelhamento angular de Eimert, também conhecida como multiplicação da série, sugeriu a Santoro uma hibridação do modelo clássico da modulação tonal com as transposições da série dodecafônica. A análise comprovou ainda que a técnica dodecafônica de Santoro exibe uma consistência equivalente à dos compositores referenciais do serialismo dodecafônico, a despeito da imagem difundida de que ele fazia um uso livre dessa técnica.

Palavras-chave: Século XX – música brasileira – música dodecafônica – música serial – hibridismo cultural – Cláudio Santoro.

 

A criação musical em diálogo com o contexto político-cultural: o caso do Grupo de Compositores da Bahia

Ilza Nogueira


O presente estudo enfoca o contexto social, o político, o econômico e o cultural que circunscreveram o “Grupo de Compositores da Bahia”, movimento musical que floresceu em Salvador, entre meados das décadas de 1960 e 1970. Observa-se, inicialmente, o intenso desenvolvimento cultural liderado pela então denominada “Universidade da Bahia” nos anos de 1954 a 1961, desde a fundação dos “Seminários Livres de Música” até o final do reitorado de Edgard Santos, fundador da Universidade. Esse período pode ser considerado como o berço da intelectualidade artística que gestou e nutriu o Grupo. Em sequência, discorre-se sobre a época de 1962 a 1975, que diz respeito à implantação do ensino de composição na Universidade da Bahia, à formação do Grupo de Compositores e à sua atuação enquanto foco de debates e de vivência musical coletiva. Busca-se compreender as ações desse movimento musical em função das suas motivações ideológicas, que, necessariamente, dizem respeito tanto à censura e repressão cultural quanto à resistência artística, considerando o fato de que, durante o período de atividades do Grupo, as universidades brasileiras operaram sob a regência da ditadura militar.

Palavras-chave: Século XX – música no Brasil – história institucional – Escola de Música da UFBA – Grupo de Compositores da Bahia.

 

Sistema-T e pós-modernidade

Ricardo Tacuchian


O criador do sistema-T expõe as relações entre a sua ferramenta composicional e o pós-modernismo. Analisa os diferentes conceitos de pós-modernismo e revela em que medida os estudos culturais recentes têm influenciado a sua trajetória criativa. E, por último, o autor comenta aspectos teóricos do sistema-T.

Palavras-chave: Século XX – música no Brasil – pós-moderno – teoria musical.

 

MEMÓRIA


Osvaldo Lacerda, uma vida (1927-2011)

Eudóxia de Barros


Homenagem a Almeida Prado (1943-2010): o compositor por ele mesmo

Régis Duprat

 

RESENHA

Manoel Aranha Corrêa do Lago. O Círculo Veloso-Guerra e Darius Milhaud no Brasil: Modernismo musical no Rio de Janeiro antes da Semana. Rio de Janeiro: Reler, 2010. 269 p., ilustr., tab., ex. music., ms. facsim., partt., bibliogr. ISBN 978-85-98650-16-6.

Régis Duprat e Maria Alice Volpe

 

ESPECIAL

Aula Inaugural na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro por ocasião dos 80 anos do compositor

Edino Krieger

 

ARQUIVO DE MÚSICA BRASILEIRA


Um método brasileiro de contrabaixo, do século XIX (1838): Lino José Nunes

André Cardoso


Curso de Lições para o Contrabaixo do Método Prático ou Estudos Completos para o Contrabaixo (edição André Cardoso)

Lino José Nunes (?-1847)

 

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Última atualização em Dom, 29 de Julho de 2012 01:16
 
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